segunda-feira, 30 de junho de 2008

PISA2006, de novo

Em função de algumas críticas que a análise dos dados do PISA suscitou - em particular a ideia de estava a comparar dados dos alunos do 10.º ano com as médias globais dos outros países - mostro um quadro que deve dissipiar as dúvidas.
O meu post inicial foi sobre os dados do PISA2006 sobre matemática, porque a discussão pública era sobre este tema. O quadro que se segue é sobre a literacia científica (média = 474) porque não tenho aqui à mão desagregados os dados sobre a matemática (média = 466) que me permitam construir um quadro equivalente, mas o exercício é o mesmo, e as conclusões também.
Já tinha adiantado alguns destes dados na discussão que decorreu aqui. Agora ficam os dados completos para um conjunto de 32 países - uma coluna de cada vez, da esquerda para a direita (clickar para aumentar a imagem):



- o score global em cada país;
- a % de alunos no ano modal em cada país;
- o score do ano modal de cada país;
- a diferença entre o score do ano modal e o score global em cada país;
- o ranking original (i.e., construído a partir do score global)
- o novo ranking, construído a partir do score do ano modal;
- a % de alunos 'muito atrasados', que são os alunos atrasados mais do que 1 ano de escolaridade em relação ao ano modal (nos países cujo ano modal é o 10.º, somam-se os alunos no 7.º e 8.º anos; nos países cujo ano modal é o 9.º, contam-se os alunos do 7.º ano; nos países cujo ano modal é o 11.º, somam-se os alunos no 7.º, 8.º, e 9.º anos).
- o coeficiente de atraso, calculado a partir da % dos alunos ‘muito atrasados’ sobre a % dos alunos no ano modal.

Os dados mais relevantes de Portugal estão a vermelho. A amarelo estão elementos relativos a alguns países que, ainda que à distância, se aproximam do nosso comportamento.

Vemos que:
- Portugal é o país onde a diferença entre o score modal e score global é a maior: 54 valores (curiosamente, no caso da matemática, a diferença entre o score modal e score global é idêntico = 520 - 466).
- Esta diferença resulta do enorme peso dos alunos 'muito atrasados' (19,7%) e do elevadíssimo valor do coeficiente de atraso (38,9%).
- Reconstruído o ranking a partir dos alunos no ano modal, Portugal passa de 29.º do conjunto de 32 países para 11.º (com o mesmo score da Austrália e da Espanha). Nenhum outro país ganha (ou perde) tantos lugares na passagem de um ranking para o outro.

De uma forma um bocadinho pomposa: os nossos alunos no ano modal estão à porta do top 10 mundial, quando comparados com os alunos dos outros países nas mesmas condições. Não são os melhores do mundo, mas, sim, estão entre os melhores.